Esse texto não é pra vocês

O que eu tinha lá? Tinha paz? Tinha. Tinha dinheiro? É… Tinha amigos? Ô. E tinha abelhinhas voando, e quintal dos fundos, e o posto da esquina, e bom papo, horário certo. Tinha os ceguinhos causando tumulto no ônibus. Tinha shopping logo ali. Tinha amigos do antigo trabalho logo ali. Tinha tudo logo ali. Silêncio na rua. Barquinhos. Boa companhia, daquelas que elegem a mesma pessoa que você pra coroar como sua majestade o chato da sala. Almoço na varanda com súbita invasão de sua majestade o chato em comum. Tinha identificação instantânea, boas risadas e um monitor gigante. Tinha só um problema: data pra acabar. E tava chegando.

Inevitavelmente chegou. É chato ser a primeira a deixar a festa, ainda mais por iniciativa própria. Levantar e sair. Ficar pensando que alá, lá estão eles, rindo, calmos e bem resolvidos apesar da minha ausência. Apesar de mim. Recalquinho? Saudade ou ciuminho? E penso que não é a primeira nem a última vez que mudo de trabalho e deixo amigos pra trás. Isso vai acontecer um milhão de vezes. Se tem uma coisa que faço fácil é amigos. Outra é mudar de trabalho. Então respira.

Foca no novo. O que tem agora? Paz? Menos. Dinheiro? Mais. Amigos? Aí que tá. Como os de lá? Não. Não tem a mesma tranquilidade, não tem o mesmo espaço. A mesma certeza de estar entre iguais. Tem um monte de gente, mas não conheço ninguém e ainda estou na fase de sentir preguiça de tudo que já não seja meu. A maldita mudança. Sair da bendita zona de conforto. Trocar os ceguinhos da Pasteur pelos doidinhos da Rio Branco. Não passear. Não achar o céu. Ter um terço de monitor e o teclado com o TAB mais duro do Rio de Janeiro. Tudo fica chato. Mas ter estabilidade. Estabilidade é bom. Estabilidade paga conta. Estabilidade permite ter dinheiro sempre pra sair com os amigos que você escolher. Estabilidade é bom. Vai, Juliana, é mantra. Ohm estabilidade é bom.

Primeiro dia no trabalho novo. Faz com que a gente escreva textos confusos e aburridos. Textos que não levam ninguém a lugar algum e terminam do nada. Só de raiva. O gráfico de audiência não sobe nem 5% e eu nem ligo, porque esse texto é só pra mim. Pra dar vazão a pessimismo. Pra lembrar que a vida às vezes é chatinha que só e o que é bom a gente tem que carregar pra sempre. Pra aceitar que local de trabalho às vezes é só dinheiro na conta mesmo e mais nada, e que os amigos a gente vai continuar encontrando, mas só depois das 19h, na vida lá fora. Das 8h às 18h, o jeito é aturar essa terrível sensação de estar sozinha entre estranhos. Até o tempo passar, eu mudar de trabalho e começar tudo de novo.

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12 pensamentos sobre “Esse texto não é pra vocês

  1. Ta sentindo falta é de ser a miss antipatia (mais fofa) de sempre que eu sei. Não do dois meses e já vai ter escolhido uns 4 como super fofos e algum coitado pra cristo, e tudo ficará na santa paz de Nossa Senhora Katylene de Deus. Alguem duvida?

  2. Ju,

    Realmente esse texto não é pra gente. Acabei de fazer uma viagem no tempo para o último dia de Outubro. Quem “tá junto” sabe como é, vai fazer falta, já tá fazendo. Boa sorte. Bjs, amigo da casinha. #rock

  3. Melancolia não combina com vc!Fase de adaptação pode ser solitária, mas passa!Vc mesma diz que sabe fazer amigos facilmente.Deve estar cheio de amigos em potencial aí, é só olhar com vontade. Então para de ser tão down e vai a luta!

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