Raízes latinas

Na nossa última reunião, notei que muitos de nós viam na literatura um bom caminho para buscar suas raízes. Não foi à toa que falamos de tantos autores brasileiros, principalmente nordestinos. Títulos como Casa Grande & Senzala e Vidas Secas, autores como José Lins… E me senti um peixe fora d’água não pela falta de curiosidade por minhas origens, ou ainda por não escolher procurá-las em livros. Minha busca é em outro território, literário mesmo, mas eu me jogo com tudo nos latinos e hispânicos.

E como nosso próximo encontro é sobre Literatura Latinoamericana, decidi então dividir um pouco do que já encontrei em tantas páginas viradas em bom castelhano. Fantásticos em todos os sentidos possíveis, os textos latinos são cheios drama, laços familiares, amor e tragédia. E, é claro, aquele calor que só quem escreve do meio do deserto conhece, seja Icamole ou Macondo, seja esse deserto um descampado emocional.

E vamos à breve lista:

Começo com Como Água para Chocolate, da mexicana Laura Esquivel. Acho que foi o primeiro latino que li, e é incrível que seja de uma mulher. Não me perguntem o porquê da predileção, mas sempre gostei mais de autores masculinos.

Como Água conta a história de Tita, proibida de se casar já que, segundo a tradição matriarcal – e como caçula da família – seria responsável por cuidar de sua mãe até o dia de sua morte. A pitada de fantasia fica por conta dos dotes culinários da protagonista, que fazem com que os que provam suas receitas sintam exatamente o que ela sentiu enquanto as preparava.

O enredo foi às telas, mas sinceramente não sei como pode ser indicado a tantos prêmios. O filme é de chorar, e no pior dos sentidos. Recomendo o livro, e o livro apenas.

 

Outro clássico mexicano é Pedro Páramo, segundo romance de Juan Rulfo. Absolutamente lindo, o livro conta a história de Juan Preciado, que após a morte de sua mãe parte em busca de seu pai, e descobre que não só ele já havia morrido, mas encontra também irmãos que nem sabia que existiam.

Não há limites entre o real e o sobrenatural, entre sonho e vigília, entre vida e morte. Um belo romance regionalista, puro Realismo Mágico, que desvenda toda a história por traz da família e da misteriosa cidade de Comala.

 

 

Para não me alongar muito mais, encerro com um dos mais tragicamente lindos que já li. A Trégua, do argentino Mario Benedetti, um senhorzinho lindo com cara de vovô. Escrito em primeira pessoa, em forma de diário, A Trégua relata com refinada ironia a história de Martín Santomé, um solitário viúvo recém-aposentado que se apaixona pela jovem Laura Avellaneda. O que parece uma simples história de amor traz reviravoltas emocionantes, um verdadeiro questionamento sobre a felicidade. Esse eu terminei às lagrimas.

Mentira. Não foi só esse. Os outros dois também me fizeram perder a compostura. São, sem sombra de dúvida, opções maravilhosas para quem gosta de sentir o coração bater mais forte.

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